A digitalização é um imperativo para um ecossistema empresarial mais competitivo e sustentável - contudo, essa transformação, como qualquer outro processo disruptivo, não está livre de perigos. O cibercrime é um desses perigos, e vem ganhando dimensão a cada ano que passa. Espanha registou uma média de 2.105 ciberataques por semana em Junho, um aumento de cerca de 10% face ao mês anterior. Entre os setores mais afetados está o do Transporte e da Logística - devido à sua elevada dependência de sistemas digitais.
Em Portugal, os dados providenciados pelo Centro Nacional de Cibersegurança indicam que, durante o ano de 2024, o aumento de incidentes de cibersegurança registados sofreu um aumento significativo, com ransomware, o phishing, o smishing, a exploração de vulnerabilidades e os ataques DDoS a serem as principais ameaças a pessoas e empresas. Outro dado interessante é que Portugal surge entre os países europeus mais afetados pelo ransomware, com vários estudos a apontarem para um crescimento expressivo deste tipo de ataques ao longo de 2025.
Operadores de serviços essenciais, organismos públicos e empresas privadas têm sido alvos frequentes, não sendo de descurar a importância crescente da componente geopolítica, que está a aumentar o número e a sofisticação dos ataques. A Logística já não transporta apenas mercadorias. Transporta também dados - e é isso que a torna um alvo dos cibercriminosos. O risco já não se prende apenas com a perda de um contentor; hoje, basta um ataque ao TMS ou ao WMS para parar toda a operação logística.
Feita de imensos metódicos e de interligações constantes, a cadeia logística é resiliente mas frágil ao mesmo tempo: um jogo de complementaridades e sintonias que pode ser viciado num ápice. Um ataque de ransomware pode, por exemplo, impedir cargas, descargas, emissão de documentos, faturação e comunicação com clientes. O que nos diz este novo contexto? Que os Transitários passaram, além de gerir a complexidade geopolítica, a gerir igualmente o crescente risco digital. A APAT está atenta a esta nova realidade.
«Estamos atento a este contexto e constantemente em diálogo com parceiros do meio tecnológico e digital para melhor percebermos esta realidade, identificarmos as ameaças e encontrarmos soluções eficazes junto de quem melhor entende a Cibersegurança. Sabemos que o setor da Logística é um dos preferidos para quem ataca a integridade dos dados das empresas. Estamos a preparar sinergias neste sentido e novos projetos em conjunto com outras associações e empresas», adiantou o diretor-geral da APAT, António Nabo Martins.
A cibersegurança deixou de ser um problema do departamento informático. É hoje uma questão de continuidade do negócio.
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