Aos microfones da TSF, António Nabo Martins, diretor-geral da APAT, analisou a continuidade da tensão geopolítica no Médio Oriente e abordou as formas que as empresas e os transitários vão encontrando para contornar o cenário de incerteza.
Instado pela
TSF a analisar a continuidade do quadro de tensão absoluta que a região do Médio Oriente representa para as empresas portuguesas, António Nabo Martins, diretor-geral da
APAT, explicou que a incerteza geopolítica, na decorrência do conflito militar entre EUA e Irão, tem afetado as exportações nacionais para a região e forçado as empresas e os atores logísticos a encontrar «soluções alternativas» para contornar o problema e manter a integridade das cadeias de abastecimento; lembrou ainda que «há cargas retidas desde o início do ano».
«Haver bombas ou não haver bombas, atacar ou não atacar, estar o Estreito de Ormuz aberto ou fechado...», comentou António Nabo Martins, aliado à retórica flutuante de Donald Trump, lança as empresas para um clima de total incerteza que não é propício para o Comércio Internacional. Em Portugal, há empresas que «continuam a exportar, mas muito menos». Outras têm receios «adicionais» face à perigosidade atual da região, outras até viram as mercadorias bloqueadas até hoje. Tudo isto traz custos que «alguém tem de pagar».
Perante este contexto altamente adverso, as empresas portuguesas vêm testando «soluções alternativas», recorrendo à ferrovia ou combinando o traçado com transporte por via marítima ou aérea, para retirar ou escoar as mercadorias através de Ormuz. Apesar de serem soluções viáveis, a verdade é que nenhuma delas é suficientemente prática e eficiente em termos de custos e tempos de trânsito, pois «nenhuma consegue compensar o volume de carga que é transportado pela via marítima».
Lembra o diretor-geral da APAT que um navio consegue transportar dezenas de milhares de contentores, sendo imbatível na combinação entre custo, tempo de trânsito e eficiência: «imaginar isso em carga transportada por comboio ou num binómio aéreo fica complicado». António Nabo Martins sublinhou ainda que há armadores globais a testar rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, apostando «no Canal do Suez ou até na exploração da Rota do Ártico».