«Precisamos de muito mais articulação, isso é notório: mais articulação entre infraestruturas e operação, mais articulação entre os vários modos de transporte», declarou o Secretário de Estado das Infraestruturas durante o Port2Rail.
Durante o seu discurso no curso Port2Rail, que ligou, pela ferrovia nacional, os portos portugueses e as plataformas logísticas, o Secretário de Estado das Infraestruturas abordou a problemática da eficiência de processos no sistema logístico, nomeadamente após uma pertinente questão de Hugo Baptista (APDL) sobre a articulação operacional entre portos e a ferrovia. A resposta de Hugo Espírito Santo foi clara: o Governo quer «mais capacidade» e «mais articulação» entre modos de transporte. «Não há outra forma de resolver», vincou.
Para sanar o problema apontado - a falta de correspondência entre janelas horárias de operação de portos e ferrovia - será necessária «mais capacidade», o que, alertou o governante «demora o seu tempo». A «capacidade atual, manifestamente não é suficiente», concluiu, ao responder à questão. «
Precisamos de muito mais articulação, isso é notório: mais articulação entre infraestruturas e operação, mais articulação entre os vários modos de transporte. Não há outra forma de resolver», salientou Hugo Espírito Santo.
«Os modos de transporte tendem a fechar-se sobre si próprios e têm uma cultura muito própria, ou seja: existe uma cultura portuária, uma cultura ferroviária, uma cultura avaiação. Se calhar a única que tem menos isso é a cultura rodoviária, por outras razões. Nós temos de quebrar essa cultura fechada. Temos de dizer «todos têm de trabalhar em conjunto», explicou, perante uma plateia de mais de 30 formandos, que, ao longo de três dias, tiveram a oportunidade de visitar os portos e operar o simulador Port Virtual Lab.
«Temos de encontrar soluções e funcionar com todos os stakeholders. Por isso é que é importante termos plataformas, criar esses mecanismos de diálogo entre as várias entidades», enfatizou ainda, lembrando que a aposta na Intermodalidade é um dos grandes pilares da estratégia 'Portos 5+', apresentada em 2025 pelo Executivo. Contudo, o governante não deixou de alertar para os «atrasos cada vez piores na ferrovia». Estamos perante um «tipping point» que não pode ser tolerado, admitiu mesmo o Secretátia de Estado.
«Estamos a chegar a um tipping point no que toca à nossa capacidade de aceitarmos essa situação», referiu, adiantando que está a ser planeado um «esforço conjunto, com a Secretaria de Estado da Mobilidade, para pensar a pontualidade na ferrovia. Temos de trabalhar em conjunto pois a IP não irá solucionar sozinha», concluiu. «No capítulo das estradas estamos relativamente bem: falta apenas uma estrada até Sines, algo que terá de ser resolvido. Mas, de facto, necessitávamos de reforçar as conexões ferroviárias aos portos», acrescentou.