Ao canal NOW, o presidente executivo da APAT explicou o panorama logístico atual à luz da guerra entre EUA e Irão, com o fecho do Estreito de Ormuz a ter um impacto crucial.
Em
entrevista ao canal televisivo NOW, o presidente executivo da Associação dos Transitários de Portugal (APAT) explicou que implicações e transformações poderemos esperar na sequência da guerra com que o mundo acordou no passado Sábado. António Nabo Martins afirmou que a associação «está algo preocupada» com os desenvolvimentos no Irão uma vez que grande parte das mercadorias passa pelo Estreito de Ormuz, agora fechado, sendo de esperar uma catadupa de custos acrescidos, insegurança na mobilidade e constrangimentos logísticos.
Preço do contentor duplicou em poucos dias
«Grande parte das mercadorias passa por aquela zona [Estreito de Ormuz] o que está a obrigar aos armadores a desviar rotas, passando ao invés pelo Cabo da Boa Esperança, o que tem um aumento significativo de 15 a 20 dias a mais, o que atrasa o transporte de mercadorias, com custos adicionais, seja pelo reordenamento do transporte, pela subida dos combustíveis e, a exemplo de outras situações, haverá um aumento considerável do frete marítimo», começou por explicar António Nabo Martins, alertando para a «duplicação do preço» dos contentores.
Fecho do estreito de Ormuz implica uma reordenação do Shipping
«Sabemos que já há armadores que suspenderam o transporte, mesmo mercadorias embarcadas. Agora há que reorganizar estas cadeias de abastecimento, o que signifca mais tempo e, claro, mais custos envolvidos», prosseguiu o presidente executivo, alertando para a igual subida «considerável» dos seguros; «Todos estes custos irão ser repercutidos no cliente final», rematou, referindo-se ainda a uma «incerteza latente» para perspetivar uma possível falta de produtos nas prateleiras: «não acredito em escassez, mas poderão não existir nas mesmas quantidades».
Na visão de Nabo Martins, muitas serão as empresas que aproveitarão este cenário atual «para fazer stocks das mercadorias que já tem, antevendo o prolongamento do conflito», reiterando que esta guerra, que já se perspetivar durar mais de 4 a 5 semanas «é uma incerteza que temos em cima da mesa». A suspensão de algumas apólices para operações na região acentuará a «disrupção» que o conflito despoletou, lembrando o presidente executivo da APAT que um dos armadores globais já suspendeu todas as operações no golfo pérsico.