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Amazon Supply Chain Services: o impacto global que pode mudar o jogo

06 Mai
Simples de explicar, disruptivo de entender: a criação da Amazon Supply Chain Services, anunciada no arranque da semana, poderá ter o condão de transformar as regras do jogo da Logística Global e afetar, de forma transversal, os equilíbrios mais íntrinsecos das cadeias de abastecimento da atualidade. O passo agora desvendado pelo colosso do e-Commerce segue a lógica já colocada em prática pela empresa relativamente à AWS, que abriu ao mundo um serviço de IT antes idealizado apenas para consumo interno. Desta vez, a Amazon abre a sua cadeia logística interna a todas as empresas que queiram recorrer a esse 'produto': logística end-to-end como um serviço, integrado.

Outrora shipper por definição e apenas operadora para si e seus vendedores (marketplace), a Amazon passa assim, com o lançamento da Amazon Supply Chain Services, a comercializar para todo o mundo a infraestrutura logística que, paulatinamente, foi construindo com o objetivo de consolidar e controlar o seu processo interno. Torna-se concorrente, já não mais indireto, mas sim direto, de operadores, transitários e transportadores: o aliciante de um único ecossistema integrado, que, sabemos, exigirá novas ideias, estratégias e soluções, por parte, não só dos seus velhos rivais (como a Fedex ou UPS) como por parte de todos estes agentes logísticos, indiferentemente da sua escala. 

Com esta nova realidade, a Amazon entra na competição total do jogo logístico, passando a concorrer c
om grandes transitários e operadores logísticos, oferecendo serviços de transporte marítimo, aéreo, camiões, armazenagem e desalfandegamento, permitindo que empresas enviem produtos de fábricas (na Ásia, por exemplo) diretamente para qualquer destino. A sua eficiência tecnológica desafiará o mercado a reduzir prazos de entrega e custos, elevando, certamente, a fasquia do nível de serviço exigido pelos clientes. No horizonte ganha forma um novo (e árduo) desafio que os agentes do setor terão de enfrentar com astúcia, planeamento e capacidade de adaptação.

Para a comunidade transitária, este desenvolvimento reforça a urgência da transformação digital e do reforço da proposta de valor, focando-se na consultoria e flexibilidade que uma gigante tecnológica pode ter dificuldade em oferecer: a capacidade de adaptação, personalização e proximidade ao cliente, dimensões onde uma plataforma altamente estandardizada poderá revelar limitações. Se estes ganhos de escala e eficiência representam um choque exigente para o setor, constituem também uma oportunidade para reposicionar o papel do transitário: menos intermediário, mais parceiro estratégico, capaz de criar valor onde a estandardização não chega.
 
Os transitários terão de se focar no valor acrescentado, na personalização, na gestão de carga complexa e no conhecimento profundo das regulamentações locais: algo que, nos últimos anos, tem sido uma estratégia assumida e bem sucedida, pela comunidade transitária e, refira-se, pelos associados da APAT. Os sucessivos eventos disruptivos têm sido um autêntico manual de sobrevivência para os agentes do setor da Logística, colocados à prova por variados desafios - muitos deles à escala global - seja no plan da Geopolítica, da Saúde ou da orgânica do mercado e suas transformações concorrenciais.

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