Na revista APAT que marcou o arranque de 2026, Joaquim Pocinho, presidente da direção da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), analisou alguns dos maiores desafios de 2025, e, refletindo sobre um dos temas mais cruciais da atualidade, a desmaterialização de processos, analisou a entrada em vigência do SiMTeM (saiba mais
aqui sobre este conturbado processo) e o papel da associação na defesa dos interesses da Economia real e das empresas que, todos os dias, lutam para aportar competitividade ao país.
«A Logística é invisível quando funciona e brutalmente evidente quando falha», introduziu o líder da APAT, a propósito do tema. «A entrada em produção do SiMTeM veio expor, de forma clara, uma fragilidade que a APAT em vindo a assinalar há muito: a desmaterialização de processos, quando não acompanhada de planeamento técnico rigoroso, interoperabilidade efetiva e envolvimento real de todos os operadores, deixa de ser progresso e transforma-se num fator de disrupção, com impactos diretos na Economia real», escreveu Joaquim Pocinho.
O presidente da APAT vincou que o comportamento da APAT em todo o processo se pautou pelo alerta, atempado, «para os riscos de um arranque precipitado do sistema», tendo solicitado o adiamento da sua entrada em produção. Joaquim Pocinho lembrou que, apesar dos constrangimentos «mais severos» estarem praticamente ultrapassados, «persistem, contudo, congestionamentos, e sobretudo, uma situação profundamente injusta e economicamente lesiva: a imputação de despesas de paralisação aos transitários».
Estes encargos, realçou Joaquim Pocinho, «propagam-se ao longo da cadeia logística, repercutem-se na economia nacional e podem vir a contribuir para um aumento significativo da litigância judicial». Neste contexto, a APAT «assumiu uma postura firme, responsável e construtiva», através da adesão à sessão nacional da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) dedicada ao SiMTeM e JUL, da intensificação do diálogo institucional e de reuniões de urgência com a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais e com a própria AT.
Destes esforços resultaram «compromissos relevantes, designadamente a realização de formação específica para transitários» e a adopção «nesta fase inicial, de uma atuação mais pedagógica e não punitiva por parte da AT, privilegiando a resolução dos problemas identificados», reforçou o presidente da APAT, em artigo editorial, redigido para o número inaugural da Revista APAT 2026.