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Tempestades e depressões: quando a Natureza e a Logística medem forças

29 Jan
Quando a Natureza lança um desafio assustador, como pode a Logística responder, em prol da segurança e da viabilidade das cadeias de abastecimento?
Portugal tem sido fortemente afetado por sucessivas tempestades que espalham o caos e o pânico de Norte a Sul - com seis mortes a lamentar e milhões de euros em prejuízos, o território nacional tem sido fustigado por temporais que, durante esta semana, semearam destruição e ameçaram vidas, empresas, negócios e infraestruturas. Quando a Natureza lança um desafio assustador, como pode a Logística responder, em prol da segurança e da viabilidade das cadeias de abastecimento? Que estratégias adoptar para minimizar os impactos?

Em situações de risco e perigo, sejam elas mais permanentes ou mais passageiras, a verdade é que a Logística é um dos últimos bastiões da manutenção da ordem e da viabilidade da vida em sociedade: quando as cadeias de abastecimento cedem, interrompem-se ou claudicam, rapidamente se deteriora a fiabilidade dos processos logísticos, se desvanece o abastecimento de produtos (até daqueles que são considerados essenciais) e se entra num contexto de escassez total, onde os serviços mais vitais deixam de ser garantidos.

As tempestades que assolam Portugal vêm deixando um rasto de destruição difícil de contornar: acessos cortados, rotas comerciais inviabilizadas, infraestruturas comprometidas, cortes energéticos e custos acrescidos para o transporte de pessoas, mercadorias e bens absolutamente essenciais. Ainda assim, é a resiliência da Logística que garante a manutenção dos 'serviços mínimos' que permitem dar uma imagem de 'normalidade' ao dia-a-dia das pessoas e das empresas; mas como é este desafio encarado pelos atores logísticos?

A resposta começa com uma verdade muitas vezes esquecida: é o Transitário quem garante a coordenação das cadeias de abastecimento, qual 'cérebro' que orquestra a ligação entre produtores, transportadores, portos, alfândegas e clientes. Ora, assim sendo, cabe ao Transitário e aos restantes atores logísticos tarefa de gerir as contingências adversas e evitar que possíveis erros ampliem a calamidade natural que já de si testa os limites do nosso quotidiano. Como coloca então o Transitário em prática esta - tão essencial - filosofia de Logística Resiliente?
 
  • Planeamento e Redundância: gizando rotas alternativas com recurso a informação previamente estudada e mobilizando parceiros (portos, armazéns e hubs complementares) capazes de completar o transporte, mesmo que em janelas de time transit maiores.
     
  • Capacidade de Decisão Rápida: apostando na experiência das suas equipas para improvisar cenários alternativos sem perder o controlo da situação e na autonomia suficiente para criar soluções sem esperar por cadeias de abastecimento mais longas e rígidas. 
     
  • Informação em Tempo Real: apostando em sistemas de informação capazes de providenciar dados fidedignos em tempo real (metereologia, GPS, infraestruturas, visibilidade da carga), de modo a permitir uma tomada de decisão assertiva e eficaz. 
Quando estamos em rota de colisão com a força da Natureza, é vital que um sistema estruturado (mas flexível) dê resposta às necessidades da população, mantendo o país em funcionamento e a rede logística que 'alimenta' os negócios e pessoas em operação, garantindo que os produtos circulam e que os cidadãos não ficam privados de bens essenciais e serviços que fazem, muitas vezes, a diferença entre a vida e a morte. Hospitais, escolas, infraestruturas energéticas, mercados e indústrias críticas necessitam da Logística para não quebrarem.

Os Transitários, bem como os restantes atores da Supply Chain, acabam por ser uma espécie de 'força de resgate' que mantém a Economia à tona e garante a estabilidade social mesmo em tempos de catástrofe. A resiliêcia logística é, no fundo, uma extensão, muitas vezes silenciosa, da proteção e da estabilidade civil. É tempo de lhe ser dado o devido valor.


Foto: Free-Images.com | Pixabay
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