O acordo visa criar uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, reduzindo tarifas e integrando mercados para estimular crescimento, competitividade e cooperação.
Cerca de 26 anos depois do primeiro passo, tudo indica que, finalmente, o Acordo Mercosul–UE será concretizado, após autorização do Conselho da UE, estando agora à espera de ratificação pelo Parlamento Europeu. Este acordo, entre a UE e o bloco Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), visa criar uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, reduzindo tarifas e integrando mercados para estimular crescimento, competitividade e cooperação. Contudo, o acordo enfrenta cisões políticas e sociais, especialmente na Agricultura e Meio Ambiente.
Acordo Mercosul-UE: quais os objetivos?
Com promessa de benefícios económicos generalizados e da criação de mercados mais incorporados e substanciais, o acordo terá - isso é certo - o potencial para fluxos logísticos e cadeias de abastecimento, reforçando o papel do Atlântico Sul no comércio mundial. Os objetivos são claros: eliminar barreiras comerciais (corte avultado de tarifas cobradas entre blocos), expandir o acesso aos mercados (empresas europeias ganham acesso ao mercado Mercosul) e as exportadoras latinas 'entram' no mercado europeu de alto poder de compra.
O acordo prevê a instalação de procedimentos alfandegários mais simples, com regras de origem e proteções de propriedade intelectual que reduzem incertezas e custos de transação. Para as empresas, este acordo poderá reduzir, significativamente, custos de exportação e importação, abir novos horizontes de mercado e de consumidores (acesso a setores industriais da UE, como automotive, maquinarias, produtos agrícolas e químicos). A UE ganha também acesso estratégico a matérias-primas críticas (minerais importantes para transição energética).
Como poderá este acordo facilitar a Logística e a vida das empresas que nela coabitam? Espera-se maior fluxo de mercadorias, fomentado por menos barreiras alfandegárias e maior simplificação de procedimentos, levando mais movimento de cargas por vias marítimas e rotas intercontinentais. As empresas poderão reorganizar suas cadeias de abastecimentos para aproveitar melhor os benefícios do acordo (por exemplo, centros logísticos na Europa para entrada de produtos Mercosul e vice-versa). Além disso, a simplificação e integração processual, tornará as operações de transporte, alfândega e distribuição mais eficientes, reduzindo tempos de trânsito e custos operacionais.
Que impactos esperar em Portugal?
O potencial para afetar positivamente as empresas portuguesas é significativo: setores como Vinhos, Calçado e Têxtil, Cosmética, Farmacêuticas, Maquinaria, Moldes e Componente Industriais poderão sair beneficiados. Não se tratará apenas de 'vender mais', mas, também, de vender com maior previsiblidade, menos burocracia e custos alfandegários reduzidos. Com pouca exposição à problemática agrícola (França e Irlanda são as mais afetadas), Portugal pode capitalizar nos produtos diferenciados, como o Azeite, Conservas ou Vinhos premium.
Portos nacionais com oportunidade de ouro
Os portos portugueses poderão ser, sem dúvida, quem mais capitalizará esta oportunidade: a sua posição geográfica atlântica é privilegiada (precisamente
entre Europa, África e América do Sul) beneficiando diretamente do crescimento do tráfego marítimo transatlântico que o Acordo UE-Mercosul trará. Os portos de Sines, Leixões e Lisboa funcionarão como
hubs de entrada/saída de mercadorias do bloco Mercosul, com a ligação porto–ferrovia–Espanha a tornar-se ainda mais estratégica para a evolução da conectividade logística nacional.
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