«Conseguimos, com o nosso alerta, desbloquear esta situação, juntamente com a ação de outras entidades», vincou o presidente executivo da APAT, em entrevista à RTP.
A Associação dos Transitários tem estado em total destaque nos meios de comunicação generalistas, com várias aparições na TV, na sequência da disrupção logística provocada pela entrada em produção do SiMTeM: desta vez, em entrevista à RTP, o presidente executivo da APAT, António Nabo Martins, abordou a problemática causada pelo arranque deste novo sistema informático, vincando que a associação havia previsto a situação e que a interoperabilidade deverá ser uma prioridade para que o sistema logístico possa comunicar entre si.
«Acreditamos que estes constrangimentos vão ter de acabar. O que se passou, neste caso em particular, foi uma situação de emergência, com carga retida no continente e que se destina a servir as nossas ilhas, devido a dificuldades várias, nomeadamente no que toca à libertação de cargas e no congestionamento dos portos. A APAT tinha alertado e sugerido, há algum tempo, que deveria ser encontrado um sistema mais ágil que permitisse que as cargas circulassem», começou por explicar, em direto, o presidente executivo da APAT.
«Conseguimos, com o nosso alerta, desbloquear esta situação, juntamente com a ação de outras entidades», vincou António Nabo Martins, lembrando, contudo que o contexto é, ainda, «manual» e «de recurso», até ser encontrada uma solução estável e duradoura. «Não se trata de um problema do Porto de Leixões, trata-se sim de um problema informático relativo a todas as cargas», explicou, salientando que a raiz do problema é a falta de interoperabilidade entre sistemas de comunicação e a respetiva interligação com a Autoridade Tributária.
«Tal como os diferentes atores da cadeia logistica, os diferentes sistemas das entidades têm de comunicar entre si mas nesse processo continuam a apresentar erros e as cargas ficam bloqueadas. Neste momento, a AT enviou um comunicado a informar de novos procedimentos para um plano de contingência, que já se encontra a funcionar, levando a que os procedimentos sejam céleres. Não é uma solução definitiva, temos de encontrar forma de todos os sistemas conversarem entre si para que estes problemas não voltem a acontecer no futuro», afirmou.
«Este é um processo que decorre desde 2024», recapitulou Nao Martins. «Andou-se em fases de testes com a Autoridade Tributária mas a verdade é que, nós, Transitários, tivemos de, praticamente, pedir para sermos incluídos nesse grupo de trabalho. A cadeia logística é constituída por vários agentes, e cada um tem o seu sistema, os seus procedimentos; se este sistema foi pensado para harmonizar, deveriamos ter, também, ter trabalho de forma harmonizada para esta solução. A 5 de Dezembro, solicitámos o adiamento da entrada em produção do SiMTeM. Sempre estivemos muito receosos quanto a este processo. O sistema colapsou e o Porto de Leixões congestionou».