Será vital, para a Economia e desenvolvimento global do país), que Portugal aposte numa autêntica 'cidade logística' na envolvência do novo aeroporto.
Portugal enfrenta grandes desafios infraestruturais, logísticos e económico-financeiros: esta não é uma novidade. Portugal tem, ao longo das décadas, cometido erros estruturais importantes na estratégia das suas políticas de investimento: esta também não é uma novidade. Com a competitividade global a ser cada vez mais acérrima, e onde o triunfo do tecido empresarial se conta, muitas vezes, ao cêntimo, torna-se urgente e inadiável uma nova perspetiva integrada e holística sobre o paradigma dos Transportes e da Logística no nosso país. Investir com critério, com propósito e com retorno.
Sabemos que toda a comunidade logística pretende o melhor para o país, para o desenvolvimento das suas operações e rentabilidade dos negócios; sabemos também que para que existam consensos minimamente duradouros, que permitam ao país mergulhar em investimentos profundos e dispendiosos, é necessário um diálogo profícuo e realmente agregador. Ao dialogar, a indústria deve também veicular as suas ideias e propostas ao poder político, e, nesta equação, encontrar-se, em conjunto, soluções. Neste contexto, o tema do novo aeroporto de Lisboa é incontornável.
Será razoável pensar que o país detenha, aos dias de hoje, um consenso mínimo sobre a necessidade de dotar o futuro aeroporto de infraestruturas pensadas para a Carga Aérea, um segmento tão importante no Comércio Global e cujo valor dos produtos transportados é elevadíssimo. Será razoável inferir que o país e os seus decisores máximos perspetivem um aeroporto com condições suficientes para dar asas à carga, aumentando os fluxos e permitindo que as empresas possam captar negócio, fixar operações e vislumbrar, no país, um hub agregador de carga de alto valor geoestratégico.
Apesar destas inferências, resta e persiste sempre o receio de que tais desígnios não se venham a concretizar, dado o historial pouco convincente do país na hora da decisão estrutural. Apesar da crença que existe na vontade de progresso por parte dos decisores políticos, o país é repetidamente brindados com adiamentos ou esquecimentos que prejudicam as empresas, os negócios, o desenvolvimento territorial e humano e a capacidade do país dar resposta aos desafios, cada vez mais exigentes, do Comércio Internacional. Portugal necessita de se repensar logisticamente para se afirmar.
Afirmar-se enquanto pólo de capacidades logísticas, aglutinador de mercadorias, de valor geoestratégico (que claramente possui mas não maximiza) e de plataforma interconexa, ligando países, negócios e captando o interesse, tanto da pequena empresa como da multinacional de vasta dimensão: ambas as tipologias encontrarão complementaridades e interdependências que apenas beneficiarão a Economia. Assim, considera-se vital que o novo aeroporto seja concretizado sem esquecer a Carga Aérea, como tantas vezes tem alertado a Associação dos Transitários de Portugal (APAT).
Será absolutamente vital, para a vertente comercial e logística (e, por arrasto para a Economia e desenvolvimento global do país), que Portugal aposte numa autêntica 'cidade logística' na envolvência do novo aeroporto, com efetivas acessibilidades e uma eficaz articulação com todos os meios de transporte. Este conceito de Intermodalidade será a chave do sucesso, como também, tantas vezes, a APAT faz questão de vincar. Portugal não deve adiar o seu potencial, ainda para mais quando existe real interesse privado em apostar nos trunfos que o país tem para oferecer.