Há 25 anos o mundo parou: o que a tragicidade do 11 de Setembro ensinou à Logística
O trágico evento mostrou que uma grave perturbação localizada pode transformar-se numa revolução sistémica. E é aqui que o Transitário ganha uma outra relevância dimensional.
A Logística existe para garantir movimento. Os acontecimentos catastróficos do 11 de Setembro, ocorridos precisamente há 25 anos, lembram-nos que esse movimento nunca é garantido. Antes da fatídica data, a Globalização assentava numa premissa invisível: pessoas e mercadorias deveriam poder circular com a menor fricção possível. Os atentados transformaram, por completo, essa premissa.
Os aeroportos triplicaram os seus controlos de segurança, os procedimentos de identificação de inspecção de passageiros e mercadorias foram altamente reforçados, as fronteiras ganharam novas camadas de controlo e as empresas redobraram esforços para incorporar mais requisitos de segurança e compliance. O atentado produziu, a partir de um específico ponto dos EUA, efeito sobre milhões de movimentos quotidianos a milhares de quilómetros de distância.
O Transitário e o profissional da Logística opera precisamente no espaço que vai desde a intenção de movimentar algo à possibilidade efetiva de o fazer. A Logística busca aliar a rapidez, a previsibilidade, a eficiência, o custo e a conectividade. O trágico 11 de Setembro introduziu a primazia de outra variável na equação: a Segurança. E, como sabemos, isso pode afetar a fluidez, o que, por sua vez, pode até fomentar a incerteza: estaremos perante um paradoxo?
Quanto mais queremos proteger as cadeias de abastecimento e as redes globais de circulação, mais complexas estas se podem tornar (mais controlos, documentação, inspeções, burocracia). O 11 de Setembro pode ser lido como um pontapé de saída de uma nova realidade de Mobilidade na qual o mundo foi forçado a perceber que as cadeias globais também são vulneráveis face ao imprevisível. Desde então, os choques globais, na vida das pessoas e no ciclo das cargas, sucedem-se.
A operação logística, o equilíbrio entre estratégicas, a processualidade inerente ao tráfego de cargas e a concretização do Comércio Internacional: tudo isto se tornou, desde o 11 de Setembro, mais complexo mas também mais seguro. O trágico evento mostrou que uma grave perturbação localizada pode transformar-se numa revolução sistémica. E é aqui que o Transitário ganha uma outra relevância dimensional. Não controla o mundo mas tem de o interpretar para resolver.
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