Sem Asas para Competir: O Impacto da Crise na Carga Aérea
Vivemos tempos de turbulência logística sem sequer levantarmos voo: a crise operacional nos aeroportos nacionais arrasta-se, deixando a carga em terra, empresas e clientes à mercê de uma inoperância crónica e a Economia a definhar lentamente. Um cenário de caos generalizado que apenas tem servido para desviar, de forma sistemática, cargas para aeroportos vizinhos – como Madrid – retirando competitividade às empresas e aos operadores logísticos, e, irremediavelmente, onerando o consumidor final.
Esta grave situação, reiteradamente apontada pela APAT, retrata uma falência operacional que ameaça tornar-se estrutural a curto prazo, caso não haja uma total mudança de rumo. Tal desfecho seria (ainda mais) catastrófico para Portugal. O serviço de handling vem-se deteriorando acentuadamente, a ponto de interromper o fluxo logístico e quebrar as cadeias de importação e exportação, colorando em risco o lugar de Portugal no Comércio Internacional e perigando a confiança dos agentes económicos.
As consequências são hoje visíveis: cargas acumuladas, prazos incumpridos, clientes prejudicados e empresas obrigadas a suportar custos adicionais que fragilizam ainda mais o tecido económico português. Esta disfunção, acompanhada por sucessivos aumentos de taxas aeroportuárias, potencia uma fragilidade que vem sendo capitalizada por aeroportos concorrentes, retirando mercado aos operadores portugueses. O resultado? Perdas significativas de conectividade, de receitas e de competitividade para o país.
Não poderemos compactuar com a precariedade funcional do handling aeroportuário, a escassez de recursos humanos e a carência de infraestruturas adequadas, sob pena de assistirmos ao colapso total do setor. Sem intervenção urgente, Portugal perderá posições estratégicas no panorama logístico internacional. A persistência deste cenário fragiliza o país enquanto porta de entrada e saída de mercadorias, empurra empresas para soluções fora do território nacional e compromete de forma severa a atratividade de Portugal como hub logístico. Reiteramos, por isso, o apelo às autoridades competentes e às entidades responsáveis para que atuem no sentido de resolver esta situação insustentável.
A economia portuguesa não pode permanecer refém de disfunções operacionais que minam a competitividade nacional e beneficiam diretamente mercados concorrentes. A APAT tem enfrentado de forma persistente esta gravíssima situação, tendo apresentado várias propostas com soluções práticas e imediatas, capazes de minimizar os atuais constrangimentos – infelizmente, tais não foram acolhidas. Não baixaremos os braços e continuaremos, garantidamente, a dar sequência a um trabalho pró-ativo de monitorização e reporte, de análise e de propostas, com vista à resolução deste imbróglio que – num país desenvolvido e que se quer competitivo – a ninguém deveria interessar.